Um Panorama Histórico

Desde que a humanidade se transformou, do antropóide dominado pelo instinto ao ser humano adaptável culturalmente, temos vivido num ambiente construído por nós próprios. Estamos envolvidos e condicionados por um território especificamente nosso, por um meio físico e sociocultural que denominamos de “ambiente humano”, produzido historicamente através de nossos esforços para viver, conviver com os outros e sobreviver em um planeta cujos recursos não são infindáveis.

Hoje temos consciência de que o “ambiente humano” é apenas um dos numerosos subsistemas que formam o vasto sistema ecológico da natureza.Todavia, o nosso subsistema possui um comportamento particular, qual seja, o de fazer uso dos outros subsistemas, modificando radicalmente os seus destinos.De todos os subsistemas ecológicos que formam a Terra, o nosso é o único que se acha atualmente de posse da capacidade virtual e real de pôr em risco todo o planeta.

Mas o risco não para por aí, cada perturbação provocada nos subsistemas ecológicos acaba por alterar todo o sistema, sem excluir evidentemente o subsistema que foi o agente inicial da perturbação- o ambiente humano.

Os sintomas da inadequação do nosso estilo de vida podem ser avaliados pelo número cada vez mais crescentes dos chamados refugiados ambientais. Segundo o relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados, existem hoje no mundo cerca de 30 milhões de refugiados ambientais, pessoas forçadas a abandonarem o seu local de origem, provisória ou permanentemente em decorrência de alguma perturbação ambiental que coloca em risco sua própria existência e afeta de forma profunda a sua qualidade de vida. Entre os fatores ambientais naturais ou antrópicos apontados pelo relatório estão: a escassez de recursos e distribuição injusta de recursos naturais; desmatamento e outras degradações ambientais; desastres naturais ou industriais; mudança climática; destruição sistemática do meio ambiente como instrumento de guerra e remanescentes de guerra.

Esse número pode aumentar ainda mais com a intensificação das mudanças climáticas. De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, poderá haver perto de 150 milhões de refugiados ambientais até 2050.

Além da resposta institucional e legal dos governos, é preciso ações adicionais, por parte da sociedade civil organizada, que levem a uma mudança profunda do nosso comportamento em relação a escassez e distribuição injusta dos recursos naturais do planeta.

Para sair dessa situação, o desenvolvimento de atividades de educação ambiental assume um papel estratégico e passa representar um importante componente na busca de um novo estilo de vida que possa garantir a sobrevivência da espécie humana.

Conscientes da importância e do caráter estratégico da educação ambiental na resolução de problemas ambientais, um grupo de ambientalistas, empenhados na busca de uma relação mais equilibrada entre o homem com a natureza e com os outros homens, criou, em 2006, a organização não-governamental DNA - Identidade Ambiental.